Pau-brasil - madeira e resina, uma pátria em flor

Flores do pau-brasil (Caesalpinia echinata).

O pau-brasil (Caesalpinia echinata) é uma leguminosa nativa da Mata Atlântica, no Brasil, também chamado arabutã, ibirapiranga, ibirapitanga, ibirapitá, orabutã, pau-de-pernambuco, pau-de-tinta, pau-pernambuco e pau-rosado. A árvore alcança entre dez e quinze metros de altura e possui tronco reto, com casca cor cinza-escuro, coberta de acúleos, especialmente nos ramos mais jovens.

As folhas são compostas bipinadas, de cor verde médio, brilhantes.

As flores nascem em meados de setembro (início da primavera) e  duram até meados de novembro. Possuem quatro pétalas amarelas e uma menor vermelha, muito aromáticas. No centro das flores, encontram-se dez estames e um pistilo com ovário súpero alongado.

Fruto do pau-brasil (Caesalpinia echinata).

Os frutos são vagens cobertas por longos e afiados espinhos, que devem protegê-los de pássaros indesejáveis, pois estes comeriam os frutos. Contém de uma a cinco sementes discoides, de cor marrom. A torção do legume, ao liberar as sementes, ajuda a aumentar a distância da dispersão.

A espécie ocorre na floresta ombrófila densa da Mata Atlântica, a partir do Rio de Janeiro até o extremo nordeste: Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e Sergipe.

Encontra-se na lista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis de espécies ameaçadas de extinção na categoria "vulnerável" e na da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais na categoria "em perigo".

O município pernambucano de São Lourenço da Mata possui, hoje, a maior reserva nativa da espécie. A Reserva Tapacurá possui, aproximadamente, 100 000 pés de pau-brasil.

História
O corte do pau-brasil para a obtenção de sua madeira e sua resina teria sido a primeira atividade econômica dos colonos portugueses aqui, na recém-descoberta Terra de Santa Cruz, no século XVI. A exportação de grande quantidade dessa especie rendeu riqueza aos colonizadores e deu, como todos sabem, nome nossa nação. Uma analogia da história da planta (de sua exploração) com o que aconteceria ao nosso País nos 500 anos seguintes não seria mera coincidências. Mais isso é outra história...


A resina vermelha era utilizada pela indústria têxtil europeia como uma alternativa aos corantes de origem terrosa e conferia aos tecidos uma cor de qualidade superior. Isto, aliado ao aproveitamento da madeira vermelha na marcenaria, criou uma demanda enorme no mercado, o que forçou uma rápida e devastadora "caça" ao pau-brasil nas matas brasileiras. Em pouco menos de um século, já não havia mais árvores suficientes para suprir a demanda, e a atividade econômica foi deixada de lado, embora árvores continuassem a ser abatidos ocasionalmente para a utilização da madeira.

No século XV uma árvore asiática semelhante, com o mesmo nome Brazil, já era usada para os mesmos fins e tinha alto valor na Europa, porém era escassa. Os navegadores portugueses que aqui aportaram imediatamente observaram a abundância da árvore pelo litoral e ao longo dos rios de planície. Em poucos anos, tornou-se alvo de muito lucrativo comércio e contrabando, inclusive com corsários franceses atacando navios portugueses.


O fim da caça ao pau-brasil não livrou a espécie do perigo de extinção. As atividades econômicas subsequentes, como o cultivo da cana-de-açúcar e do café, além do crescimento populacional, estiveram aliadas ao desmatamento da faixa litorânea, o que restringiu drasticamente o habitat natural desta espécie. Mas sob o comando do Imperador Dom Pedro II, vastas áreas de Mata Atlântica, principalmente no estado do Rio de Janeiro, foram recuperadas, e iniciou-se uma certa conscientização preservacionista que freou o desmatamento. Entretanto, já se considerava o pau-brasil como uma árvore praticamente extinta.

No século XX o pau-brasil foi reconhecido oficialmente e popularmente como árvore em perigo de extinção . De lá para cá algumas iniciativas foram feitas no sentido de reproduzir a planta a partir de sementes e utilizá-la em projetos de recuperação florestal, com algum sucesso. Em 1924, Oswald de Andrade fez um manifesto sobre a nova poesia brasileira intitulado "Manifesto da Poesia Pau-Brasil".


Atualmente, o pau-brasil é usado como árvore ornamental, mas sua madeira ainda é considerada uma das mais duráveis [e valiosas] do mundo, por ser não apodrecer e não ser atacada por insetos. O uso da madeira atualmente se restringe ao fabrico de arcos de violinos, canetas e joias, tanto pela pela escassez, quanto pela leis que protegem a espécie.


Semente do pau-brasil (Caesalpinia echinata)

A origem do nome
O pau-brasil (Caesalpinia echinata), também chamado arabutã, ibirapiranga, ibirapitanga, ibirapitá, orabutã, pau-de-pernambuco, pau-de-tinta, pau-pernambuco e pau-rosado, é uma leguminosa nativa da Mata Atlântica, no Brasil.

Curiosidade
As sementes de pau brasil comumente são confundidas com as sementes da árvore saga (Adenanthera pavonina), também chamado de olho de pavão, carolina, árvore saga e falso pau-brasil. 

Sementes da árvore saga (Adenanthera pavonina), falso pau-brasil.

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