Superadobe, uma solução para construção barata e sustentável, bem debaixo dos nossos pés.



Muros, casas e até telhados construídos apenas com sacos de polipropileno e terra.

A primeira vista a pergunta natural é: isso funciona? A resposta é muito simples: funciona! Quem garante é a NASA - Agência Espacial Norte Americana, que em 1984 promoveu o simpósio "Lunar Bases and Space Activies of the 21º Century", com arquitetos e engenheiros renomados do mundo todo, para discutir a viabilidade de se construir na Lua.


O arquiteto iraniano Nader Khalili (falecido em 2008), presente no evento, supreendeu à todos e arrebatou o prêmio ao apresentar sua criação, o superadobe, a solução mais eficiente [e óbvia] para evitar que grandes quantidades de material tivessem que ser levados ao espaço.


Aqui no Brasil a aplicação dessa técnica ainda é pouco difundida, estando restrita a ecovilas e grupos que praticam a permacultura, mas essa realidade está mudando. A medida que as pessoas se sentem seguras com a "novidade" mais e mais pessoas vão optando por ela, por inúmeras razões. Tanto para a construção de casas como cirternas, fossas sépticas, piscinas e até muros de arrimo.



Tudo o que se precisa para construir com superadobe é:
- saco de polipropileno
- terra do próprio local
- água
- soquete
- funil (que pode ser um pedaço de cano de PVC ou qualquer outro tubo)
- disposição

O saco nada mais é do que um grande tubo de polipropileno (em alguns lugares é chamado de ráfia), com aproximadamente 50 cm de largura, que é adquirido em bobinas por metro ou quilo. Um pedaço do saco é cortado no comprimento desejado e vai sendo preenchido com terra úmida através de um funil. Assim vão sendo formadas as “fiadas” que depois são apiloadas são socadas e cobertas por outra fiada, sucessivamente, até a parede ser completamente erguida.


A técnica é extremamente econômica, já que a grande parte do material da construção é a terra e pode ser proveniente do próprio local. A terra é também um excelente isolante natural, resultando em economia nos gastos com refrigeração e aquecimento.

O superadobe não exige mistura específica de areia/argila sendo adaptável até mesmo a regiões com solo extremamente arenoso.  A técnica também não requer grandes conhecimentos técnicos, qualquer pessoa pode colaborar na construção de sua própria casa.


E para quem ainda está pensando na questão da segurança, um dado: o Instituto Cal-Earth, promotor do superadobe, submete o material às avaliações sísmicas no estado da Califórnia, onde o instituto está estabelecido. Os testes demonstraram que o superadobe pode resistir ao fogo, inundações e até furacões.


Instituto Cal-Earth projetou os eco-domos “Moon Cocoon”, pequenas construções que podem ser utilizadas para moradias comunitárias ou vilas ecológicas. Os planos e instruções para construir os eco-domos está a venda do site do Instituto (link no final do post) por um total de $3.200 dólares, porém, informa que o material proporcionado é parte de um curso que o instituto sugere para treinar as pessoas na construção de moradias ecológicas.


Os criadores do superadobe indicam que a tecnologia que criaram está disponível de forma gratuita aos países em vias de desenvolvimento.

E aí, quem se habilita?